A gestão Lean e a adoção de métodos ágeis são uma alternativa à gestão tradicional de projetos no contexto da indústria 4.0. Aprimorar processos, aumentar a produtividade e encurtar ciclos de entrega são benefícios que tem total sinergia a flexibilidade, rapidez e segurança exigidas nesse cenário.

No entanto, ao mesmo tempo que metodologias ágeis (como por exemplo, o Scrum) se tornam cada vez mais populares e apresentam bons resultados em outras áreas além da TI, ainda existem obstáculos para aplicá-las em um ambiente de engenharia e indústria.

Antes de mais nada é preciso reconhecer que não existe certo ou errado!

A metodologia ágil possui vantagens em relação ao método tradicional, mas adaptar a teoria à realidade de cada projeto é importante para evitar frustrações futuras. Ter consciência da sinergia entre método e projeto que se pretende desenvolver é importante e, a seguir vamos abordar alguns fatores para te ajudar a definir a metodologia ideal para a sua iniciativa.

Mais adiante apresentaremos um panorama sobre a cultura ágil como um todo e os princípios do Management 3.0, que trazem insights valiosos para otimizar os resultados no desenvolvimento e na gestão dos projetos.

 

Afinal, onde a metodologia ágil se encaixa na indústria?

Em primeiro momento, é importante ter em mente dois parâmetros: o tipo de projeto e a fase de desenvolvimento. De forma geral, a metodologia ágil é muito adequada para três situações em aplicações industriais. São elas:

  • Projetos de pesquisa e desenvolvimento que demandam solução para problemas complexos;
  • Projetos que envolvem a implementação de uma solução inovadora;
  • Projetos de desenvolvimento de um produto que evolui constantemente.

Ademais, saiba que também é possível gerenciar os projetos de forma híbrida, aplicando tanto métodos ágeis, quanto tradicionais de acordo com a demanda de situações específicas dentro dos projetos. Portanto, avalie de forma racional e veja o que funciona para a sua realidade.

 

Cultive a cultura ágil

Independente da metodologia escolhida para o desenvolvimento de uma iniciativa, cultivar a cultura ágil e fomentar os princípios do Management 3.0, sem dúvidas potencializa as chances de sucesso em um projeto.

Ser ágil envolve uma série de princípios e valores essenciais. Será que o seu negócio está alinhado com eles?

Em 2001 um grupo composto por 17 pessoas se reuniu para debater sobre essas novas abordagens em gerenciamento de projetos e criou o chamado Manifesto Ágil, com 4 princípios que as caracterizam. São eles:

  • Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas;
  • Software em funcionamento mais que documentação abrangente;
  • Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos;
  • Responder a mudanças mais que seguir um plano.

No entanto, ao longo dos anos esse manifesto foi “se perdendo”, a medida em que a verdadeira essência da cultura ágil (pessoas e geração de valor contínuo) foi se perdendo com a preocupação excessiva em relação aos métodos e processos para implementar o ágil nas organizações.

Por isso, Joshua Kerievsky – CEO da Industrial Logic – fez uma adaptação nomeada Modern Agile que consiste em 4 princípios similares ao manifesto, porém com foco mais comportamental do que processual.

 

Segundo ele os métodos ágeis estão se modernizando. Muitas empresas já descobriram novos caminhos para desenvolver produtos e gerenciar projetos e isso requer uma nova visão em relação a cultura ágil.

Joshua também aposta em uma abordagem mais direta e sem rodeios para difundir os fundamentos e segundo ele o ” Modern Agile é ultra-leve, o oposto do Manifesto Ágil, que está se afogando no emaranhado de ferramentas empresariais, estrutura de escala e certificados questionáveis, que produzem mais burocracia do que resultados.”

 

Management 3.0

Construir essa cultura mais ágil, colaborativa, com equipes auto gerenciáveis e auto suficientes, capazes de gerar bons resultados para o negócio. e, ao mesmo tempo garantir uma boa gestão, é um desafio e tanto para os líderes na era 4.0.

Nesse sentido, mudar o mindset em relação a ‘liderança’ é o caminho ideal para tornar essa jornada mais tranquila e o Management 3.0 é um conjunto de práticas e ferramentas que está transformando o gerenciamento de projetos. Ele se baseia em 5 princípios que têm total coesão com tudo o que falamos até aqui. São eles:

#1 Envolver pessoas e suas interações. Envolva as pessoas no trabalho, envolva as pessoas na interação umas com as outras. Aumentar as interações entre as pessoas.

#2 Melhorar o sistema. O sistema não é apenas uma equipe, todos os que interagem com a equipe fazem parte do sistema. Nós acreditamos em um ganha-ganha. Deveríamos tentar melhorar todo o sistema e não apenas uma parte do sistema.

#3 Ajudar a fazer todos os clientes felizes. Os clientes não são apenas nossos clientes externos, consideramos todos os envolvidos no sistema como clientes. Colegas de trabalho, outras equipes, clientes, acionistas, etc. Devemos tentar agradar todos os clientes, não apenas as partes interessadas ou apenas nossos colegas de trabalho.

#4 Gerenciar o sistema, não as pessoas. Acredita-se que é difícil mudar o comportamento das pessoas. No entanto, quando você altera o ambiente deles, as pessoas terão que se adaptar e mudar seu comportamento para se ajustarem ao novo ambiente. Também mudando o ambiente, as pessoas podem gerenciar a si mesmas. A administração é apenas nutrir o jardim.

#5 Co-criar. Os colegas criam coisas juntos, e co-criar também é dar feedback um ao outro. Co-criar comportamento.

 

Clique na imagem abaixo e conheça também quais são as 6 visões de Martie, o mostro do gerenciamento nas organizações.

 

 

Change by doing!

Sabemos que um dos maiores obstáculos para promover a cultura ágil é a resistência das pessoas.

Diante disso, é importante compreender que, mais que participar de palestras sobre o assunto, as equipes precisam viver o ágil na prática. Portanto, change by doing!

Faça desses princípios uma realidade no dia a dia delas e não deixe de trabalhar os três eixos para a gestão de pessoas na indústria 4.0: motivação, capacitação e a colaboração.

 

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Data da publicação: 24 julho, 2020 Autor: